Aluna do Campus Restinga concorre ao Parlamento Juvenil do Mercosul

Estudante do 1º ano do curso Técnico em Lazer Integrado ao Ensino Médio do Campus Restinga, Lara Batista Barella, 15 anos, foi selecionada para concorrer à vaga de representante do Rio Grande do Sul no Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM). Lara está concorrendo com mais três estudantes gaúchos. Os representantes de cada Estado serão eleitos em votação a ser realizada de 19 a 23 de novembro de 2018. Podem votar apenas jovens de 14 a 18 anos matriculados no Ensino Médio. Os mais votados representarão o Brasil durante eventos nacionais e internacionais do PJM.
O Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM) é um programa promovido pela Assessoria Internacional do Ministério da Educação, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Cidadania (IIDAC), que busca promover o protagonismo juvenil, contribuindo para a integração regional dos jovens parlamentares que, após discussões conjuntas, acordam e recomendam a adoção de políticas educativas que promovam uma cidadania regional e uma cultura de paz e respeito à democracia, aos direitos humanos e ao meio ambiente.
Lara foi selecionada com o projeto Me Socorre Aí: Cooperação entre os Estudantes do IFRS, orientado pelas professoras Thayane Cazallas do Nascimento e Daniela Sanfelice, que propõe uma rede cooperativa entre os alunos para troca de saberes e melhoria da aprendizagem, baseada em um ambiente acolhedor e diferente da sala de aula tradicional. A estudante conta que logo que recebeu o e-mail sobre a seleção, começou a pensar no projeto. “Escolhi algo que melhorasse a relação do aluno com a aprendizagem. Foquei nisso e comecei a observar ao meu redor o que poderia fazer para melhorar a minha realidade com os colegas. Fiquei uma aula inteira observando e vi que alguns colegas, em vários momentos, não entendiam o que o professor falava e chamavam o colega do lado. Só que esse barulho ali atrapalhava a aula. Mas essa conversa é muito importante, é um vínculo que os colegas têm. Então pensei ´onde a gente poderia fazer isso, em qual espaço?’”, conta Lara.
Foi aí que nasceu a ideia das SCEs (Salas de Cooperatividade Estudantil), como explica a estudante: “A biblioteca é um lugar de leitura e silêncio, a sala temática só contempla uma matéria, também não é o ideal, e a sala de estudos é para o estudo individual de cada aluno. Se eu quisesse levar três ou quatro colegas para explicar um conteúdo, não poderia. Então me ocorreu criar um espaço próprio para isso, não de maneira vertical, com diretor, professor e abaixo o aluno, e sim horizontal, onde tem dois ou mais alunos conversando, trocando saberes”.
Por meio de uma plataforma online – um site ou um aplicativo de celular – o estudante coloca seus dados (idade, curso), suas habilidades (que disciplinas domina bem) e sua disponibilidade de horários. Então, afirma Lara, alguém que não é bom em determinada matéria e precisa de ajuda vai ver o site e combinar um horário para se encontrar com o colega na sala. A integração entre os alunos, segundo a estudante, é outro diferencial do projeto:
“A sala vai promover uma maior conversa entre cursos e turmas. Posso ser da Letras ou qualquer outro curso superior e ajudar alguém do 1º ano do Técnico em Lazer, por exemplo. E vice-versa. É cooperação, ajuda mútua.”
O conceito de empatia, debatido nas aulas de Sociologia com a professora Thayane, contribuiu bastante para a ideia. A empatia é importante nesse projeto, diz Lara, porque o aluno tem que ver o colega e se colocar no lugar dele, entender que ele tem dificuldade e se voluntariar para ajudar.
Outro fator que a estudante considerou foi a qualidade do ambiente das salas. Nessa parte, contou com o apoio da professora Daniela, de Biologia. As salas, além de equipadas com computador, quadro, TV e material para escrever e desenhar, foram projetadas para ser um ambiente familiar, acolhedor, aberto. Para isso, também teria plantas, que têm grande influência na aprendizagem, conta Lara:
“A gente não quer uma sala de aula comum, que tenha várias classes e um quadro, porque isso não estimula uma conversa tranquila entre dois alunos. Sempre achei as salas de aula muito fechadas, padronizadas, parede branca, cadeiras iguais, não tem nenhum estímulo. Nenhum lugar contempla tudo isso, de uma maneira convidativa, para que a gente possa ter essa troca.”
Para a estudante, a estrutura curricular do curso Técnico em Lazer, na qual os professores atuam de maneira interdisciplinar, a ajudou a criar uma proposta descompartimentada: “A maneira como meu curso trabalha com várias matérias juntas, conversando entre si, me levou a pensar a sala com todas as matérias, sem ter aquelas caixinhas de divisão de história, matemática, geografia”, diz Lara.
Agora, a estudante vai se preparar para eleição e se dedicar à divulgação de sua candidatura nas escolas e nas redes sociais, mobilizando amigos, colegas e familiares. O desafio é ser a mais votada entre os estudantes de Ensino Médio do Rio Grande do Sul e ter a oportunidade de representá-los junto com colegas de outros Estados e países:
“Será uma experiência incrível ir a outros países e poder trocar ideias e debater sobre o Ensino Médio, pensando maneiras de melhorar a educação”, conclui Lara, destacando a importância do protagonismo juvenil, ou seja, de dar voz aos jovens na construção de mudanças que ajudem a transformar a realidade.
Saiba mais sobre o Parlamento Juvenil do Mercosul: http://pjm.mec.gov.br/
 
O que faz o representante eleito
O estudante eleito para representar sua Unidade da Federação e o Brasil no PJM tem mandato de dois anos. Durante esse período, participa do encontro internacional para elaboração de uma declaração com propostas e recomendações sobre o tema “O ensino médio que queremos”, além de outros encontros nacionais. Trabalha ainda na proposição e implementação de projetos voltados para comunidade escolar, temáticas do PJM: gênero, participação cidadã, integração regional, direitos humanos, jovens e trabalho e inclusão educativa.
Sobre o Parlamento Juvenil
Desde que foi criado em 2008, já foram realizadas quatro edições do Parlamento Juvenil do Mercosul, com seleções a cada dois anos. Até 2014, participavam do PJM jovens da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Colômbia. Na última edição 2016-2018, participaram apenas jovens dos países membros do Mercosul. Foram 27 jovens brasileiros, 26 argentinos, 18 paraguaios e 19 uruguaios. Os encontros são realizados na sede do Mercosul em Montevidéu em uma data que coincida com a reunião do Parlamento do Mercosul (Parlasul), já que também ocorre uma reunião conjunta entre o PJM e o Parlasul.
 
Texto e foto: Comunicação do Campus Restinga